A Rocca, empresa mineira especializada em doce de leite, evoluiu de um investimento inicial de R$ 20 mil em um tacho de inox para uma operação que hoje processa cerca de 6 mil litros de leite por dia. Em pouco mais de dez anos, a capacidade produtiva saltou de 40 potes diários para uma linha industrial que abastece todo o território nacional, demonstrando como um planejamento de capital bem estruturado pode transformar um negócio familiar em referência de mercado.
Desde 2020, a companhia tem destinado entre R$ 2 mi e R$ 3 mi anuais para ampliação e modernização de sua planta. A intervenção mais significativa ocorreu em 2024, quando a fábrica foi ampliada, elevando a capacidade total em mais de 30 %. Curiosamente, apenas 30 % dessa nova capacidade está sendo utilizada, indicando que o gargalo atual mudou de produção para distribuição e penetração de mercado. Essa mudança exige investimentos em logística, canais de venda e fortalecimento da marca, áreas que tradicionalmente recebem menos atenção em negócios de pequeno porte.
Do ponto de vista regulatório, a conquista do SISBI em 2019 foi decisiva para a expansão interestadual, permitindo que a Rocca atendesse redes como a Zona Sul, no Rio de Janeiro. Agora, o foco está na obtenção do SIF (Serviço de Inspeção Federal), requisito do MAPA para exportação. O projeto de adequação já foi aprovado e as obras devem iniciar ainda este ano, com a meta de certificação no próximo. Essa certificação não só abre portas para mercados externos, como também eleva o padrão de controle de qualidade interno, reduzindo riscos de não conformidade e potencializando a confiança do consumidor.
A estratégia de diferenciação da Rocca – priorizar qualidade e história da família em vez de competir por preço – alinha-se às tendências de consumo premium e de produtos artesanais que têm ganhado força no Brasil. A utilização de leite da própria fazenda (1 400 L/dia) combinada com compras de produtores locais garante rastreabilidade e permite a manutenção de um teor de sólidos controlado. A diversificação de sabores (café, coco, avelã, pistache e recentemente cacau) e a oferta de embalagens que atendem tanto ao varejo quanto ao food service (até 4,6 kg) ampliam a cobertura de canais e aumentam a margem de contribuição.
Pontos de atenção para gestores de laticínios:
- Planejar a capacidade instalada de forma a operar entre 70 % e 85 % da capacidade total, evitando subutilização e garantindo margem operacional.
- Investir antecipadamente em certificações MAPA/SIF para reduzir o tempo de entrada em mercados de exportação.
- Desenvolver uma estratégia de distribuição que inclua parcerias logísticas, ferramentas de CRM e análise de dados de ponto de venda.
- Capitalizar a narrativa da origem familiar e da qualidade do leite como diferenciais de marca, atendendo ao crescente segmento de consumidores premium.
Ao consolidar a produção, buscar certificações internacionais e reforçar a presença comercial, a Rocca demonstra um caminho viável para laticínios que desejam escalar de forma sustentável, equilibrando investimentos de capital, compliance regulatório e estratégias de marca.
📰 Fonte: MilkPoint — Giro de Notícias