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📊 Quinzena de outubro: Leite spot em queda e muçarela sob pressão – impactos estratégicos para laticínios

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📊 Quinzena de outubro: Leite spot em queda e muçarela sob pressão – impactos estratégicos para laticínios

Na primeira quinzena de outubro, o mercado nacional de leite apresentou um cenário de divergência: o GDT (Gasto Diário Total) subiu, enquanto as cotações do leite spot e da muçarela recuaram de forma consistente. Essa dinâmica reflete a combinação de oferta abundante no campo e a desaceleração dos preços dos derivados no atacado, fatores que exigem atenção imediata dos gestores de laticínios para preservar margens e evitar acúmulo de estoques.

O leite spot nacional registrou queda de R$ 0,145 em relação à quinzena anterior, estabelecendo‑se em R$ 2,645 por litro. O recuo foi impulsionado pela maior disponibilidade de leite cru e pela redução dos preços de produtos como leite UHT e muçarela. Para os produtores, isso significa pressão sobre a receita líquida e a necessidade de rever contratos de compra, renegociar prazos de pagamento e otimizar a logística de coleta para reduzir custos operacionais.

Na cadeia de derivados, a muçarela sofreu desvalorizações em todas as principais praças. Minas Gerais e Goiás lideraram a queda, com preços em R$ 32,7 (-R$ 1,0) e R$ 33,0 (-R$ 0,9) por kg, respectivamente. No Sul, Santa Catarina e Paraná fecharam em R$ 31,6 e R$ 31,7. Esse cenário de excesso de estoque pressiona os fabricantes a repensar estratégias de preço, considerar promoções segmentadas e avaliar a viabilidade de diversificar o portfólio com produtos de maior valor agregado, como queijos artesanais ou linhas premium.

O segmento de leite em pó mostrou comportamentos contrastantes. Enquanto o integral e o fracionado recuaram (R$ 24,0 e R$ 29,8‑29,9 por kg, respectivamente), o desnatado manteve‑se estável em R$ 23,2. A estabilidade do desnatado está ligada ao aumento da demanda por ingredientes proteicos na indústria de alimentos funcionais. Essa diferenciação indica oportunidade para laticínios que já operam com linhas de proteína isolada ou que pretendem entrar nesse nicho, ajustando a produção para atender a demanda mais resiliente.

Por fim, a queda nos preços de insumos agrícolas – milho (-2,5%) a R$ 67,7 a saca e soja (-2,6%) a R$ 157,23 – reduz o custo de produção de ração e energia, proporcionando margem de melhoria nos custos unitários. Contudo, a volatilidade internacional desses commodities exige monitoramento constante, sobretudo para planejar compras futuras e proteger a rentabilidade. Paralelamente, o aumento das importações de laticínios, que amplia o déficit comercial, reforça a necessidade de atenção às normas do MAPA e ao Sistema de Informação de Fiscalização (SIF), garantindo que a rotulagem e os processos de PAC estejam em conformidade para evitar sanções e manter a competitividade no mercado interno.


📰 Fonte: MilkPoint — Panorama de Mercado