O Estado de Minas Gerais, por meio da Secretaria de Estado de Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Seapa), do Instituto Mineiro de Agropecuária (IMA) e da Fundação Ezequiel Dias (Funed), lançou uma série de projetos coordenados pelo Fundo Estadual de Proteção e Defesa do Consumidor (FEPDC). O objetivo central é atuar de forma preventiva, identificando riscos sanitários antes que cheguem ao consumidor final, e gerar dados técnicos que sustentem ações de fiscalização, responsabilização e defesa coletiva. Para os laticínios, essa estratégia significa um ambiente regulatório mais robusto e maior transparência nas relações de consumo.
Minas Agroindústria, programa da Seapa com início previsto para 2027, visa fortalecer cadeias tradicionais como queijos artesanais, cachaça de alambique e agroindústrias familiares. Entre as metas estão o monitoramento sanitário de 2.500 animais para brucelose e tuberculose, a realização de análises laboratoriais, assistência técnica e capacitação de serviços municipais de inspeção. Para os produtores de leite, a ampliação da vigilância sanitária dos rebanhos reduz a incidência de doenças que comprometem a qualidade da matéria‑prima e facilita a conformidade com as normas do MAPA e da SIF.
O projeto concluído Queijo Minas Legal já demonstrou resultados concretos: foram realizadas 2.861 visitas de assistência técnica, 119 estabelecimentos obtiveram regularização junto aos serviços oficiais de inspeção sanitária e 1.200 análises de água e queijo foram concluídas em 162 municípios. Essa regularização traz benefícios diretos ao segmento de queijos artesanais, que passa a atender aos requisitos de rastreabilidade, higiene e controle de patógenos exigidos pelo MAPA, ampliando sua capacidade de acesso a mercados externos.
Em resposta à nova exigência da Anvisa de rotulagem obrigatória de alergênicos, a Funed desenvolveu o projeto "Desenvolvimento e Implantação de Metodologias Analíticas para Determinação de Alérgenos em Alimentos". Serão validadas técnicas para detectar leite, glúten, amendoim, castanhas, nozes, pistache, amêndoas e outros alérgenos, com apoio de PCR em tempo real. Para as indústrias de laticínios, isso representa uma ferramenta essencial para garantir a veracidade das informações rotuladas, evitar recalls custosos e atender às demandas de consumidores cada vez mais sensíveis a alergênicos.
Paralelamente, o IMA está estruturando o laboratório "Bebida Segura" para analisar cachaça e outras bebidas vegetais, focando na identificação de adulterações como metanol. Embora voltado a bebidas, a ampliação da capacidade analítica estadual beneficia o setor lácteo ao reduzir o tempo de entrega de resultados laboratoriais e ao criar um modelo de inspeção que pode ser replicado para produtos lácteos. Outro esforço relevante foi a modernização do Laboratório de Análise de Resíduos e Agrotóxicos (Lara), que ampliou o monitoramento de 100 para mais de 390 princípios ativos, incluindo glifosato e 2,4‑D. Esse avanço assegura que os insumos alimentares e forragens utilizados na produção de leite estejam dentro dos limites de resíduos permitidos, reduzindo riscos de contaminação e de sanções regulatórias.
Para os gestores de laticínios, os projetos representam oportunidades estratégicas:
- Redução de custos operacionais ao contar com laboratórios públicos capacitados, evitando a necessidade de terceirização cara;
- Melhoria da conformidade com MAPA/SIF, facilitando a obtenção de certificações e a exportação;
- Fortalecimento da marca ao comunicar ao consumidor a adoção de práticas de segurança alimentar certificadas;
- Acesso a assistência técnica e capacitação que aumentam a eficiência produtiva e a qualidade do leite.
📰 Fonte: MilkPoint — Giro de Notícias