A trajetória do Grupo De Jager demonstra como um projeto bem‑planejado pode transformar uma pequena produção familiar em um polo de 18 mil litros de leite por dia em menos de dez anos. O ponto de partida foi 2017, quando Felipe De Jager, ainda adolescente, manifestou interesse pelo leite e o pai, Frederik, decidiu iniciar a atividade com apenas 12 vacas, aproveitando as instalações já existentes para a pecuária de corte.
Investimento antecipado em infraestrutura foi o diferencial. Ao invés de ampliar o rebanho primeiro, a família construiu galpões, salas de ordenha, sistemas de resfriamento e corredores de circulação adequados ao padrão exigido pelo MAPA (mínimo de 2,5 m² por vaca em lactação). Essa postura evitou superlotação, reduziu custos com perdas de produção e garantiu bem‑estar animal, fator crítico para a produtividade média de 22 L/animal/dia que sustenta a meta de 18 mil litros.
A parceria estratégica com a Castrolanda Cooperativa Agroindustrial trouxe assistência técnica especializada, planejamento nutricional e segurança na coleta e comercialização. O suporte da cooperativa, certificada pelo SIF, diminui a exposição a riscos de mercado e assegura a conformidade com as normas de rotulagem e qualidade, permitindo que a família concentre esforços na gestão da fazenda e na expansão controlada.
Além do leite, o Grupo De Jager diversifica a produção com lavoura de grãos e suinocultura. Essa estratégia de mitigação de risco gera fluxo de caixa complementar, reduz a dependência de preços voláteis do leite e cria sinergias (ex.: uso de subprodutos da suinocultura como fertilizante na lavoura). A gestão familiar, com participação ativa da segunda geração, também fortalece o plano de sucessão, garantindo continuidade e alinhamento de visão estratégica.
O próximo marco estabelecido é alcançar 30 mil litros por dia. Para isso, a família pretende ampliar o rebanho de forma gradual, focando na criação de bezerras e novilhas e na expansão controlada da capacidade de ordenha. O plano inclui novo CAPEX de aproximadamente R$ 12 milhões em instalações de resfriamento e automação, além de investimentos em tecnologia de monitoramento de produção (IoT) para otimizar o feed‑forward nutricional e reduzir custos operacionais em até 8 %.
Principais lições para decisores do setor lácteo:
- Planejar a infraestrutura antes do aumento do rebanho reduz custos de retrofit e garante conformidade regulatória.
- Parcerias com cooperativas ou consultorias especializadas trazem segurança de mercado e suporte técnico contínuo.
- Diversificar a matriz produtiva protege contra a volatilidade de preços e cria oportunidades de economia circular.
- Incluir a nova geração na governança facilita a sucessão e estimula a adoção de tecnologias emergentes.
- Estabelecer metas de produção realistas, alinhadas a investimentos de capital e à capacidade logística, sustenta o crescimento sustentável.
📰 Fonte: MilkPoint — Giro de Notícias