O governo federal estendeu por mais 30 dias o subsídio de R$ 2,12 por litro ao diesel, medida que visa amortecer a pressão dos preços internacionais do petróleo, que têm sido impulsionados por conflitos geopolíticos. Para os produtores de leite, a notícia tem implicações imediatas, já que a maior parte da cadeia de abastecimento – da coleta nas fazendas ao transporte para indústrias e centros de distribuição – depende de frotas rodoviárias.
Dados da ANP revelam que 20 % do diesel consumido no país ainda é importado. Em 2026, o consumo total foi de 213,2 milhões de barris, enquanto a produção nacional cobriu apenas 154,8 milhões, exigindo 43,5 milhões de barris de importação. Essa vulnerabilidade de abastecimento eleva o risco de rupturas de estoque, sobretudo em períodos críticos como o início da safra de verão, quando a demanda por transporte de leite fresco aumenta.
Para os laticínios, o aumento do preço do diesel se traduz em custo adicional de frete que pode chegar a 5 % do preço final do produto. Esse acréscimo pode ser absorvido parcialmente nas margens, mas, em um cenário de competitividade internacional, há tendência de repasse parcial ao consumidor. A estratégia de negociação de contratos de transporte, a revisão de cláusulas de reajuste e a diversificação de modais (ex.: uso de ferrovias para granel de leite em pó) tornam‑se essenciais para preservar a rentabilidade.
Do ponto de vista regulatório, o MAPA e a SIF (Sustentabilidade e Inovação no Faturamento) exigem transparência nos custos de produção e permitem a inclusão de combustíveis alternativos – como o biodiesel B10 – nas misturas obrigatórias. A adoção de biodiesel pode reduzir a dependência do diesel importado, embora seja necessário avaliar o impacto nos custos de manutenção de equipamentos e na eficiência energética das frotas.
Recomendações estratégicas para os gestores de laticínios incluem: (i) firmar acordos de fornecimento de diesel com cláusulas de preço fixo ou teto; (ii) avaliar a viabilidade de investir em frota própria com motores flex‑fuel; (iii) explorar alternativas logísticas, como transporte ferroviário de concentrados e uso de terminais intermodais; (iv) monitorar a agenda de subsídios e planejar a transição para fontes de energia mais estáveis, como eletrificação de veículos leves.
Em síntese, a prorrogação do subsídio oferece um alívio temporário, mas não elimina a necessidade de planejamento de longo prazo. A Consulak está preparada para apoiar os laticínios na análise de custos, na adequação regulatória e na implementação de soluções logísticas que reduzam a exposição à volatilidade do diesel e fortaleçam a competitividade do setor.
📰 Fonte: G1 — Agronegócios
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