O ObservatĂłrio da Cadeia Láctea Argentina (OCLA) divulgou que, nos primeiros sete meses de 2026, a Argentina exportou 259.282 toneladas de produtos lácteos, totalizando US$ 987 milhões. Em termos de litros de leite equivalentes (LLeq), o volume chegou a 1,8348 bilhĂŁo de litros, representando aumentos de 24,8 % em volume, 18,4 % em valor e 20,4 % em LLeq frente ao mesmo perĂodo de 2025. Se a tendĂŞncia se mantiver, a projeção para 2026 indica cerca de 3,6 bilhões de litros exportados, o que corresponde a quase 30 % da produção nacional estimada em 12 bilhões de litros.
O leite em pĂł continua sendo o carro-chefe das exportações, respondendo por 40,6 % do valor total. Os queijos seguem em segundo lugar, com 27,8 %, enquanto doces de leite, manteiga, Ăłleo de manteiga e soro somam 19,3 %. Os demais 12,3 % incluem lactose, caseĂna e iogurtes classificados como confidenciais. Em volume, o leite em pĂł cresceu 29,5 % e os queijos 15,8 % em relação ao ano anterior, sinalizando uma demanda internacional robusta por produtos de maior valor agregado.
O Brasil absorveu 51,2 % das exportações argentinas, consolidando-se como o principal destino, seguido por ArgĂ©lia (9,9 %) e Chile (7,6 %). Essa concentração geográfica traz implicações estratĂ©gicas para os produtores brasileiros: a alta dependĂŞncia de importações argentinas pode pressionar os preços internos, sobretudo em segmentos onde o leite em pĂł argentino compete diretamente com a produção nacional. Para os tomadores de decisĂŁo, Ă© essencial monitorar a evolução dos custos de importação, bem como as polĂticas de tarifas e acordos bilaterais que podem alterar a competitividade.
Apesar do recorde de volume, o preço mĂ©dio de exportação recuou 5,1 %, situando‑se em US$ 3.807 por tonelada**. O leite em pĂł argentino registrou ainda maior queda, 7,1 % abaixo do ano anterior, o que reduz as margens dos exportadores e abre espaço para que os laticĂnios brasileiros ofereçam produtos com melhor relação custo‑benefĂcio. Nesse cenário, a Consulak recomenda reforçar a conformidade com as normas do MAPA e da SIF, sobretudo em rotulagem e processos de PAC, para garantir que os produtos brasileiros mantenham a diferenciação de qualidade exigida pelos mercados de alto valor.
O panorama para 2026 indica que a Argentina pode destinar quase um terço da sua produção ao exterior, o que pressiona o mercado interno brasileiro a buscar eficiĂŞncia operacional e inovação de portfĂłlio. EstratĂ©gias como a ampliação de linhas de queijos premium, a adoção de tecnologias de redução de perdas e a certificação de processos (PAC, rastreabilidade) sĂŁo fundamentais para melhorar a competitividade frente Ă s importações. AlĂ©m disso, acompanhar as atualizações regulatĂłrias do MAPA – especialmente as referentes a limites de resĂduos e requisitos de rotulagem – será decisivo para evitar barreiras nĂŁo tarifárias e aproveitar oportunidades de exportação para mercados emergentes.
đź“° Fonte: MilkPoint — Giro de NotĂcias