Silagem de milho continua sendo a principal estratégia de conservação de forragem para garantir volumoso de qualidade ao longo do ano. Dados recentes do Projeto Campo Futuro (18 propriedades típicas) revelam que, embora o custo por hectare possa parecer elevado (R$ 9.123,61/ha na safra e R$ 6.965,52/ha na safrinha), o verdadeiro indicador de eficiência é o custo por tonelada produzida. Na safra 25/26, o custo médio foi de R$ 247,08/t, enquanto na safrinha subiu para R$ 277,49/t, demonstrando que maior produtividade dilui os gastos fixos.
Ao segmentar as propriedades por faixa de produtividade, o efeito de diluição se torna ainda mais evidente. Propriedades que superaram 40 t/ha registraram custo de R$ 226,86/t – 21,3 % inferior ao de quem produziu até 30 t/ha (R$ 288,22/t). Na safrinha, a diferença é ainda mais acentuada: acima de 30 t/ha o custo cai para R$ 181,02/t, enquanto abaixo de 20 t/ha chega a R$ 416,32/t. Esse padrão indica que o foco deve ser custo por tonelada, e não apenas o desembolso por hectare.
Um dos principais componentes de custo são as operações mecanizadas, que representam cerca de 38 % do total, seguidas por fertilizantes (≈30 %). O plantio e a adubação de cobertura concentram 31 % e 22 % dos gastos, respectivamente, enquanto a colheita responde por 25 %. Investimentos em tecnologia de plantio e colheita – como tratores de alta potência, colhedoras automáticas e sistemas de compactação – têm potencial de reduzir o custo unitário e melhorar a produtividade. Por outro lado, a terceirização pode elevar significativamente o custo por tonelada: a propriedade de Passos/MG, que terceirizou colheita, transporte e compactação, teve custo de R$ 244,97/t, 64 % maior que a propriedade de Marmeleiro/PR, que produziu 50 t/ha de forma própria (R$ 149,38/t).
Do ponto de vista econômico, a relação de troca – litros de leite necessários para cobrir o custo de uma tonelada de silagem – evidencia o impacto direto da produtividade nas margens leiteiras. Em um cenário de leite a R$ 2,50/L, propriedades que produzem até 30 t/ha precisam de 115 L de leite por tonelada, enquanto quem supera 40 t/ha requer apenas 91 L. Na safrinha, a diferença chega a 167 L versus 72 L. Essa redução de litros necessários diminui a exposição do produtor às volatilidades do preço do leite, reforçando a importância de monitorar o custo por tonelada.
- Investir em correção e adubação de solo para elevar a produtividade da lavoura.
- Priorizar a mecanização das etapas de plantio e colheita, reduzindo a dependência de terceirização.
- Implementar sistemas de gestão que acompanhem o custo por tonelada e a relação de troca com o leite.
- Comparar o custo da produção própria (≈R$ 250‑300/t) com o preço de mercado de silagem externa (≈R$ 650/t) para validar a viabilidade econômica.
Em síntese, a gestão da silagem de milho deve ser encarada como um pilar de sustentabilidade econômica da cadeia leiteira. Ao focar na produtividade, na eficiência mecanizada e no controle rigoroso dos custos unitários, o produtor cria margem de segurança frente às flutuações de preço do leite e reduz a dependência de insumos externos, alinhando-se às exigências de qualidade e rastreabilidade estabelecidas pelo MAPA e pelos sistemas de inspeção (SIF).
📰 Fonte: MilkPoint — Giro de Notícias