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🥛 Captação de leite atinge recorde no 2º tri, porém crescimento desacelera – análise Consulak

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🥛 Captação de leite atinge recorde no 2º tri, porém crescimento desacelera – análise Consulak

Os indicadores do segundo trimestre de 2026 mostram que a captação de leite no Brasil continua em níveis historicamente elevados, porém o ritmo de expansão desacelerou significativamente. Enquanto a taxa de crescimento anual foi de apenas 1,0% – muito abaixo dos 10,2% registrados no mesmo período de 2025 – a oferta acumulada no primeiro semestre avançou 1,8% em relação ao ano anterior, contrastando com o salto de 7,6% observado em 2025. Esse cenário evidencia que, embora a demanda permaneça robusta, os produtores estão respondendo a um ambiente de margens mais apertadas.

O padrão sazonal típico da produção leiteira se manteve, com a captação recuando 2,5% no segundo trimestre em relação ao primeiro, superando a queda de 0,9% de 2025. Ainda assim, a retração foi menos acentuada que a média histórica, indicando que o mercado está absorvendo melhor as variações sazonais. Regionalmente, Minas Gerais liderou com 1,575 bilhão de litros (+1,0% YoY), seguido por Paraná (+4,9%) e Rio Grande do Sul (+5,4%). No comparativo trimestral, o Sul recuou 0,4% e o Sudeste 5,0%, enquanto o Nordeste registrou crescimento de 1,1%.

Um dos motores principais dessa dinâmica foi a rentabilidade do produtor, medida pelo RMCA (Receita Menos Custo de Alimentação). Após a forte expansão de 2025, impulsionada por margens elevadas no final de 2024, o RMCA sofreu pressão no final de 2025, reduzindo o incentivo à produção e contribuindo para a desaceleração observada em 2026. A recente recuperação do RMCA sinaliza melhora nas condições econômicas, mas seus efeitos sobre a oferta costumam apresentar defasagem, o que implica que o volume de captação pode permanecer estável antes de refletir novos aumentos.

Para os gestores de laticínios, o cenário demanda atenção estratégica em três frentes: (i) custo de produção – monitorar o preço do diesel e dos insumos alimentares, que podem corroer margens mesmo com RMCA em alta; (ii) planejamento de estoque – a manutenção de níveis elevados de captação, porém com crescimento moderado, favorece a negociação de contratos spot mais estáveis, reduzindo a volatilidade de preços; (iii) risco climático – a potencial intensificação do El Niño pode impactar a disponibilidade de forragem nas regiões Sul e Sudeste, exigindo estratégias de mitigação, como diversificação de fontes de alimento e ajustes na programação de ordenha.

Do ponto de vista regulatório, o MAPA continua acompanhando de perto os volumes captados e a qualidade do leite, reforçando a necessidade de conformidade com as normas de rastreabilidade e rotulagem (SIF). Operadores que mantiverem processos alinhados às exigências do MAPA e investirem em boas práticas de produção (PAC) estarão melhor posicionados para aproveitar a demanda internacional crescente e a valorização dos grãos, que impactam diretamente o custo de alimentação. Assim, a combinação de rentabilidade sustentável, gestão de custos e aderência regulatória será decisiva para transformar a estabilidade atual em oportunidades de crescimento futuro.

📰 Fonte: MilkPoint — Panorama de Mercado

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