O Rio Grande do Sul intensifica a implantação da rastreabilidade individual de bovinos, iniciativa que se alinha à crescente exigência de consumidores e compradores globais por transparência quanto à origem, segurança sanitária e responsabilidade ambiental dos alimentos. Em painel da XXI Jornada NESPro, o secretário da Agricultura, Pecuária, Produção Sustentável e Irrigação, Márcio Madalena, destacou que a rastreabilidade se tornou um diferencial estratégico para a pecuária gaúcha, sobretudo para a cadeia leiteira que busca se posicionar em mercados premium.
Base legal: o programa segue as diretrizes do Plano Nacional de Identificação Individual de Bovinos e Búfalos (PNIB), lançado pelo Ministério da Agricultura e Pecuária em dezembro de 2024. O PNIB estabelece a identificação gradual de todos os animais do país, com integração dos bancos de dados do MAPA e do Sistema de Informação de Fiscalização (SIF), e prevê a conclusão total até dezembro de 2032. Essa estrutura normativa garante a certificação sanitária e a comprovação de origem exigidas por normas de exportação e por certificadoras internacionais.
O estado já acumula experiência prática: desde 2017 a cadeia leiteira gaúcha adota a rastreabilidade individual, e em 2023 o tema foi incorporado aos projetos estratégicos estaduais. Em 2024, a SEAPI criou um grupo de trabalho dedicado e realizou missões técnicas ao Uruguai para analisar o modelo uruguaio de identificação animal. Atualmente, cerca de 1,200 bovinos da cadeia leiteira já possuem identificação individual, e projetos piloto em propriedades públicas estão em fase de expansão.
Para os produtores de leite, os benefícios são múltiplos. A rastreabilidade permite acesso a mercados mais exigentes, potencializando preços premium e reduzindo barreiras tarifárias. Além disso, o monitoramento em tempo real de dados sanitários e de manejo facilita a mitigação de riscos, como surtos de doenças ou estresse térmico, gerando economia operacional. Embora a implantação exija investimento em tecnologias como RFID ou microchips e em sistemas de gestão de dados, o retorno esperado vem da valorização da proteína animal e da diferenciação competitiva.
Recomendamos que os tomadores de decisão dos laticínios adotem um plano de implantação faseado, priorizando rebanhos de alta produtividade e integrando os registros ao Radar Certificação e a compradores estratégicos, como a Minerva Foods. O apoio da Consulak pode auxiliar na adequação aos requisitos MAPA/SIF, na escolha de fornecedores de tecnologia e na estruturação de projetos de financiamento, garantindo que a transição para a rastreabilidade seja eficiente, econômica e alinhada às metas de competitividade do setor.
📰 Fonte: MilkPoint — Giro de Notícias