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Brasil tenta bloquear tarifa de 25% dos EUA: riscos e oportunidades para a cadeia láctea 🧀📊

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Brasil tenta bloquear tarifa de 25% dos EUA: riscos e oportunidades para a cadeia láctea 🧀📊

Na segunda‑feira (6), o Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR) iniciou as audiências públicas previstas na Seção 301 da legislação americana. O objetivo é avaliar a proposta de imposição de uma tarifa adicional de 25 % sobre um amplo leque de produtos brasileiros, com decisão final prevista para 15 de julho. Essa etapa é decisiva porque permite que setores afetados apresentem argumentos técnicos, econômicos e jurídicos antes da medida ser oficializada.

Representantes da Confederação Nacional da Indústria (CNI), da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), da Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq) e da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) compareceram ao debate. Embora o foco das audiências tenha sido setores como máquinas, ferro‑gusa, café e mel, a decisão sobre a tarifa tem repercussões diretas para a indústria de laticínios, que depende intensamente de equipamentos de processamento, embalagens e insumos importados dos EUA.

Os argumentos centrais da delegação brasileira giram em torno da profunda integração das cadeias produtivas dos dois países. A Abimaq destacou que 82 % das exportações brasileiras de máquinas para os EUA são realizadas entre empresas do mesmo grupo econômico, o que demonstra que uma sobretaxa elevaria os custos da própria indústria americana. Para o segmento lácteo, isso significa que equipamentos de pasteurização, linhas de envase e sistemas de refrigeração, que são majoritariamente fornecidos por fabricantes brasileiros, poderiam ficar mais caros, impactando o preço final do leite, queijos e derivados.

Segundo estimativas da CNI, a aplicação da tarifa poderia reduzir em mais de 9 % as exportações de máquinas e equipamentos, um recorte que se traduziria em menor investimento em modernização de fábricas de laticínios. Além disso, a Fiesp argumentou que a medida não possui justificativa jurídica ou econômica e que o aumento de custos seria repassado tanto ao produtor brasileiro quanto ao consumidor norte‑americano, gerando inflação bilateral. Essa perspectiva reforça a necessidade de os gestores de laticínios avaliarem cenários de preço de capital e buscarem alternativas de fornecimento.

Do ponto de vista estratégico, os tomadores de decisão do setor lácteo devem monitorar de perto as negociações entre os governos brasileiro e americano e considerar ações mitigadoras: diversificar fornecedores de equipamentos, renegociar contratos de manutenção, analisar a viabilidade de produção local de componentes críticos e manter a conformidade com as normas do MAPA e da SIF, que permanecem inalteradas, mas podem sofrer pressão de custos indiretos. A Consulak está preparada para apoiar a reavaliação de projetos de PAC, rotulagem e adequação regulatória, garantindo que a cadeia láctea mantenha competitividade mesmo diante de possíveis barreços tarifários.

📰 Fonte: G1 — Agronegócios