O estudo Brand Footprint Panetones 2026 revela que a categoria ainda está presente em 62,4% dos lares brasileiros, porém registra queda de 3,8% nos Consumer Reach Points (CRP) e retração de 3,4% no volume em relação ao período anterior. Esse recuo indica que, embora o panetone continue relevante, a disputa pela escolha do consumidor tornou‑se mais complexa: em média, o shopper adquire três unidades de duas marcas diferentes e apenas 3 das 20 principais marcas mantiveram a lealdade, enquanto 17 apresentaram declínio.
Qualidade e proposta de valor ganharam destaque como fatores decisivos. A Bauducco mantém a liderança nacional com 25,9 milhões de CRP, mas marcas menores – Festtone, Romanato, Panco, Santa Edwiges e Casa Suíça – avançaram, impulsionadas por uma maior disposição do consumidor em experimentar. Regionalmente, o Sul e o interior de São Paulo mostraram crescimento, ao passo que a capital paulista e o Nordeste perderam força, sinalizando que estratégias de regionalização podem gerar diferenciação competitiva.
Do ponto de vista de canais, a desaceleração do atacarejo abre espaço para e‑commerce e plataformas de delivery assumirem papéis críticos na jornada de compra. Para os laticínios, isso implica adaptar a logística, garantir a integridade do produto em transporte e adequar a rotulagem às exigências do MAPA/SIF para vendas on‑line, evitando riscos de não conformidade.
Em termos de inovação, os panetones recheados voltaram a ganhar notoriedade, mas o crescimento observado provém, em grande parte, de substituição interna – ou seja, consumidores trocam um produto por outro da mesma categoria, sem ampliar a base de compradores. O desafio estratégico, portanto, não é apenas ampliar o portfólio, mas desenvolver propostas que criem novas ocasiões de consumo, aumentem a frequência de compra ou atraiam segmentos ainda não explorados, como a Geração Z, que demonstra preferência por chocolate e formatos mais convenientes.
Para os tomadores de decisão em laticínios, a combinação de qualidade, preço competitivo, inovação direcionada e adequação ao momento de consumo será o diferencial. Recomenda‑se: (i) investir em linhas de panetone com ingredientes certificados e rotulagem alinhada às normas MAPA; (ii) testar formatos regionais que atendam às preferências locais; (iii) integrar canais digitais com estratégias de preço dinâmico; e (iv) contar com a expertise da Consulak para estruturar projetos de PAC, garantir a conformidade regulatória e otimizar a comunicação de valor ao shopper. Quem conseguir articular esses elementos terá maior probabilidade de transformar a alta penetração da categoria em crescimento efetivo na próxima temporada.
📰 Fonte: MilkPoint — Giro de Notícias