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🥛 A era do Ozempic no campo: como a demanda por proteína está remodelando o mercado de leite

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🥛 A era do Ozempic no campo: como a demanda por proteína está remodelando o mercado de leite

Uma pesquisa recente da Pluxee, com 1,200 usuários de canetas emagrecedoras, revelou que 84% reduziram o consumo de alimentos industrializados e 83% diminuíram a ingestão de ultraprocessados. Mais da metade (57%) passou a priorizar fontes de proteína de alta qualidade, como carnes magras, ovos, peixe e, sobretudo, leite e derivados. Esse comportamento está gerando uma nova dinâmica de demanda que impacta toda a cadeia láctea, desde a produção até a prateleira.

Para os produtores de leite, a mudança de perfil de consumo eleva o soro de leite (whey) a um produto estratégico. Conforme relatado por Roger van der Vinne, vice‑presidente da Comissão Técnica de Bovinocultura de Leite do FAEP, o preço do whey triplicou nos últimos dois anos. Contudo, a valorização ainda está concentrada na indústria de laticínios, que tem a capacidade de transformar o soro em ingredientes de alto valor agregado (proteína isolada, concentrada, bebidas funcionais). O desafio para o produtor é alinhar a produção ao pipeline industrial, firmando contratos que reconheçam o whey como commodity premium.

Do ponto de vista regulatório, o MAPA já exige rotulagem clara de teor de proteína e origem do soro em produtos lácteos (SIF 12/2023). Assim, os laticínios que investirem em processos de padronização e certificação de whey poderão atender às exigências de transparência nutricional e ganhar competitividade nos canais de varejo que atendem consumidores conscientes. A adequação ao SIF também abre portas para exportação, já que mercados como UE e EUA demandam documentação de rastreabilidade e composição.

Outra consequência importante vem da genética bovina. Nos EUA e Canadá, os índices de seleção (TPI e LPI) passaram a valorizar a proteína em detrimento da gordura. Como o Brasil adota esses padrões internacionais na escolha de touros, a tendência de rebanhos com maior teor protéico já está se materializando. Para os fazendeiros, isso significa que investimentos em melhoramento genético podem gerar leite com maior concentração de proteína, aumentando a rentabilidade do whey e de queijos de alta qualidade.

Estratégicamente, os decisores de laticínios devem considerar três linhas de ação: (i) revisar portfólio para incluir produtos ricos em whey (bebidas, suplementos, snacks); (ii) fortalecer parcerias com produtores que adotem genética focada em proteína e práticas de manejo que preservem a qualidade do leite; e (iii) garantir conformidade com as normas MAPA/SIF, investindo em rotulagem e certificação. Ao alinhar produção, tecnologia e regulamentação, a cadeia láctea brasileira pode transformar a “era do Ozempic” em uma oportunidade de crescimento sustentável e de valorização da proteína nacional.

📰 Fonte: MilkPoint — Giro de Notícias

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